{"id":4697,"date":"2017-04-02T21:56:13","date_gmt":"2017-04-03T00:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/?p=4697"},"modified":"2017-04-02T21:56:13","modified_gmt":"2017-04-03T00:56:13","slug":"feijoa-nativa-do-brasil-e-sucesso-la-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/2017\/04\/02\/feijoa-nativa-do-brasil-e-sucesso-la-fora\/","title":{"rendered":"Feijoa, nativa do Brasil e sucesso l\u00e1 fora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4698\" alt=\"reuniao\" src=\"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/reuniao.jpg\" width=\"429\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/reuniao.jpg 429w, https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/reuniao-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/p>\n<p>Se voc\u00ea morasse na Nova Zel\u00e2ndia, provavelmente j\u00e1 teria tomado suco de feijoa ou, pelo menos, saberia que comer torradas com sua geleia \u00e9 uma boa pedida para o caf\u00e9 da manh\u00e3. No Rio Grande do Sul, o fruto que, por fora, parece uma goiaba simples, mas \u00e9 azedinho e agridoce por dentro, \u00e9 tido como estrangeiro, mas na verdade \u00e9 prata da casa. A goiaba-do-mato, goiaba-serrana ou feijoa, que encanta os consumidores ao redor do mundo pelos benef\u00edcios gastron\u00f4micos, ornamentais e medicinais, \u00e9 um prato cheio para o com\u00e9rcio e pesquisas acad\u00eamicas. Por aqui, \u00e9 capaz de passar despercebida na serra ga\u00fa-cha, no Paran\u00e1, em Santa Catarina e no Uruguai, onde \u00e9 nativa. N\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a que essa injusti\u00e7a \u00e9 cometida com a Acca sellowiana (nome cient\u00edfico da planta). A falta de valoriza\u00e7\u00e3o dos alimentos locais \u00e9 uma quest\u00e3o hist\u00f3rica, explica a engenheira agr\u00f4noma e professora da UFRGS Ingrid Bergman Inchausti de Barros. &#8220;N\u00e3o acreditamos no potencial desses alimentos porque temos um esp\u00edrito colonial, achamos que o que vem de fora \u00e9 melhor. Nossa cultura alimentar \u00e9 muito padronizada em cima da culin\u00e1ria europeia. Falta valorizar o que \u00e9 nosso&#8221;, disse a pesquisadora. Bem explorada comercialmente nos Estados Unidos, na Col\u00f4mbia e na Nova Zel\u00e2ndia, a fruta tamb\u00e9m serve de mat\u00e9ria-prima para sorvetes, espumantes, vinhos e outros produtos derivados, como n\u00e9ctar, molhos e alimentos processados. Na Universidade de Auckland, na Nova Zel\u00e2ndia, o tema instigou pesquisadores da nutri\u00e7\u00e3o a testarem seu potencial anti-inflamat\u00f3rio e antioxidante em rela\u00e7\u00e3o a outras frutas, como amora, manga, framboesa e morango. A pesquisa identificou que a feijoa possui &#8211; sobretudo na casca efeito antioxidante maior do que as demais.<\/p>\n<p>&#8220;A feijoa \u00e9 conhecida por ter elevada quantidade de polifen\u00f3is, tais como os flavonoides, respons\u00e1veis para os efeitos anti-inflamat\u00f3rios&#8221;, disse Lynn Ferguson, nutricionista da universidade. Pesquisa sobre a fruta ainda engatinha no pa\u00eds &#8211; No Brasil, a presen\u00e7a da goiaba- serrana \u00e9 mais comum em \u00e1reas com altitudes superiores a 900 metros e com forma\u00e7\u00e3o de bosques e matas de arauc\u00e1ria. As flores aparecem nos meses de outubro a dezembro, e os frutos, em seguida. Ficam em Santa Catarina os principais centros com experimentos agron\u00f4micos com a fruta. Em 2011, um cap\u00edtulo do livro Esp\u00e9cies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econ\u00f4mico Atual ou Potencial &#8211; Plantas para o Futuro, produzido por pesquisadores do Estado vizinho, tratava do tema. O texto abordava o potencial inexplorado da feijoa e a boa aceita\u00e7\u00e3o que teria entre os consumidores locais.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhos mais avan\u00e7ados para o Brasil s\u00e3o bem recentes e incipientes perto dos estudos j\u00e1 feitos nos Estados Unidos e na Nova Zel\u00e2ndia. Queremos ter uma base gen\u00e9tica para, futuramente, come\u00e7ar estudos de preserva\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Ingrid. Em cidades pequenas do interior, onde realiza sa\u00eddas de campo com seus alunos, a professora costuma encontrar produtos \u00e0 base de feijoa em pequenos mercados e feiras org\u00e2nicas. A demanda ainda pequena faz o alimento ser classificado como aqueles &#8220;do tempo da av\u00f3&#8221;. Ela compara o fruto ao buti\u00e1, outro produto local com produ\u00e7\u00e3o de base familiar. &#8220;Vamos esperar que outro pa\u00eds ou um chef na televis\u00e3o valorize essa fruta para nos dar conta que isso \u00e9 nosso e \u00e9 bom?&#8221;, questiona. Recente discuss\u00e3o ocorrida no Brasil sobre o marco legal da biodiversidade suscita reflex\u00e3o sobre direitos de explora\u00e7\u00e3o de bens naturais como a feijoa. &#8220;Empresas fabricam produtos sobre o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico de outro pa\u00eds e passam a faturar bens econ\u00f4micos e n\u00e3o econ\u00f4micos advindos desse neg\u00f3cio. Ignoram-se os conhecimentos locais da popula\u00e7\u00e3o e deixam-se os povos vulner\u00e1veis a esse tipo de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de guardi\u00f5es locais da biodiversidade, o empobrecimento e a redu\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es deixam cada vez mais vulner\u00e1vel esse patrim\u00f4nio&#8221;, disse o assessor jur\u00eddico da ONG Terra de Direitos, Andr\u00e9 Dallagnol. A engenheira agr\u00f4noma do N\u00facleo de Agroecologia da Secretaria do Desenvolvimento Rural Agda Regina Yatsuda Ikuta explica que, para ser difundido em outros pa\u00edses, o alimento passou por cruzamentos e melhoramentos gen\u00e9ticos para adaptar-se ao clima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea morasse na Nova Zel\u00e2ndia, provavelmente j\u00e1 teria tomado suco de feijoa ou, pelo menos, saberia que comer torradas com sua geleia \u00e9 uma boa pedida para o caf\u00e9 da manh\u00e3. 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