{"id":4227,"date":"2020-10-21T05:26:23","date_gmt":"2020-10-21T08:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/?p=4227"},"modified":"2020-10-22T22:54:38","modified_gmt":"2020-10-23T01:54:38","slug":"novas-variedades-de-amora-sao-mais-produtivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/2020\/10\/21\/novas-variedades-de-amora-sao-mais-produtivas\/","title":{"rendered":"Novas variedades de amora s\u00e3o mais produtivas"},"content":{"rendered":"<p>A amora-preta, classificada dentro do grupo das pequenas frutas, \u00e9 uma fruta agregada, sendo formada por diversas drup\u00e9olas (cada uma com sua polpa e semente) e compartilhando um mesmo recept\u00e1culo. Este se desprende junto com a fruta, quando ela \u00e9 colhida, o que, morfologicamente, a diferencia da framboesa, uma vez que na framboesa esta parte permanece na planta e a fruta agregada fica com \u2013 por assim dizer \u2013 um oco no centro, ap\u00f3s colhida.<\/p>\n<p>A amora-preta \u00e9 de propaga\u00e7\u00e3o assexuada, ou seja, \u00e9 propagada por clones obtidos por estaquia, seja a\u00e9rea ou por estacas de raiz, ou ainda via cultura de tecidos. As sementes, desde que escarificadas para romper o tegumento e permitir a entrada de \u00e1gua, podem germinar. Entretanto, n\u00e3o se deve fazer um plantio comercial desta maneira, pois a variabilidade entre plantas ser\u00e1 muito grande e n\u00e3o se conseguir\u00e1 um padr\u00e3o de frutas.<\/p>\n<p><strong>Cultivares &#8211; <\/strong>No mundo s\u00e3o lan\u00e7adas anualmente novas cultivares de amora-preta (blackberry). V\u00e1rias delas s\u00e3o pertencentes a empresas privadas (como \u00e9 o caso das cultivares de algumas empresas chilenas e americanas) ou s\u00e3o adaptadas a climas frios.<\/p>\n<p>Por estas raz\u00f5es, e tamb\u00e9m devido ao fato de que este \u00e9 um cultivo que pode ser lucrativo mesmo em pequenas \u00e1reas, a Embrapa Clima Temperado iniciou um programa visando o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao Sul do Brasil.<\/p>\n<p><strong>O programa de melhoramento da amora-preta come\u00e7ou no final da d\u00e9cada de 70, tendo por base cultivares e sementes de hibrida\u00e7\u00f5es, oriundas da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos. Alguns anos depois, foram introduzidos materiais do Uruguai e de Oregon, USA.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Este programa deu origem \u00e0s seguintes cultivares: \u00c9bano, lan\u00e7ada em 1981; Negrita, em 1983, hoje obsoleta; Tupy e Guarani, ambas lan\u00e7adas em 1988; Caingangue, em 1992; Xavante, em 2004, e BRS Xingu, em 2015.<\/strong><\/p>\n<p>Dessas, as cultivares \u00c9bano e Xavante s\u00e3o as \u00fanicas sem espinhos nas hastes. Infelizmente, as frutas de ambas t\u00eam um sabor predominantemente \u00e1cido, al\u00e9m de amargo, que sobressai no final. Por isso, s\u00e3o utilizadas apenas para processamento.<\/p>\n<p><strong>Note-se que, enquanto as plantas da cv. Xavante s\u00e3o de h\u00e1bito ereto, as plantas da cv. \u00c9bano t\u00eam h\u00e1bito decumbente (rasteiro). Caingangue produz frutas com sabor doce-\u00e1cido e com um agrad\u00e1vel bouquet. Entretanto, perde em apar\u00eancia para as frutas produzidas pela cv. Tupy e \u00e9 menos firme que essas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A cv. Guarani \u00e9 altamente produtiva e suas frutas s\u00e3o globosas e de tamanho inferior \u00e0s demais desse grupo. A cv. Tupy \u00e9, seguramente, a mais plantada no Brasil e tem grande destaque em regi\u00f5es produtoras de inverno ameno em outros pa\u00edses do mundo, notadamente no M\u00e9xico.<\/strong><\/p>\n<p>Suas frutas s\u00e3o levemente alongadas (m\u00e9dia de 2,5 cm de comprimento), com bom tamanho, brilho, muito boa apar\u00eancia geral e uma rela\u00e7\u00e3o a\u00e7\u00facar\/acidez superior a 6. Esta cultivar pode facilmente produzir de 2,5 a 03 kg por planta.<\/p>\n<p><strong>Peculiaridades &#8211; <\/strong>Todas essas cultivares, com exce\u00e7\u00e3o da \u00c9bano, cuja matura\u00e7\u00e3o das frutas \u00e9 tardia, coincidem em per\u00edodo de colheita, com diferen\u00e7as insignificantes quanto ao seu in\u00edcio. Cumpre destacar que a cv. \u00c9bano produz frutas \u00e1cidas e com adstring\u00eancia. A BRS Xingu, cujas frutas s\u00e3o muito semelhantes \u00e0s da cv. Tupy, prolonga a colheita por aproximadamente duas semanas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cv. Tupy, e ao longo dos anos, no campo experimental da Embrapa, teve produ\u00e7\u00e3o superior, com uma m\u00e9dia de 800g por planta, \u00e0quela da cv. Tupy (plantas espa\u00e7adas em 50 cm).<\/p>\n<p>Estas cultivares, com exce\u00e7\u00e3o de BRS Xingu, s\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico. Mudas da BRS Xingu, por serem protegidas, s\u00f3 est\u00e3o dispon\u00edveis em viveiristas licenciados pela Embrapa.<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia &#8211; <\/strong>A tend\u00eancia atual no mundo n\u00e3o se restringe a buscar cultivares com alta produtividade, mas a obter cultivares com plantas sem espinhos nas hastes, de porte ereto e, em v\u00e1rios programas de melhoramento, tamb\u00e9m de h\u00e1bito remontante.<\/p>\n<p>Estas produzem nas hastes prim\u00e1rias, permitindo uma colheita no ver\u00e3o e outra no outono, ou que se opte apenas por uma colheita maior, no outono, portanto, fora da esta\u00e7\u00e3o usual. A firmeza e conserva\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colheita s\u00e3o tamb\u00e9m prioridades.<\/p>\n<p>As frutas devem manter a cor, brilho e textura ap\u00f3s colhidas. A revers\u00e3o de cor, drup\u00e9olas que, pretas quando colhidas, voltam \u00e0 cor vermelha, \u00e9 um dos defeitos mais graves e at\u00e9 certo ponto, comuns.<\/p>\n<p>No programa brasileiro estes pontos tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, mas talvez o mais importante seja desenvolver cultivares produtoras de frutas com maior rela\u00e7\u00e3o a\u00e7\u00facar\/acidez. Como \u00e9 sabido, o grande mercado brasileiro aprecia frutas doces e, na amora-preta em geral, h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia de acidez. Talvez por isso, o principal destino da produ\u00e7\u00e3o no Brasil seja para a ind\u00fastria (fabrica\u00e7\u00e3o de sucos, geleias, iogurtes, etc.). *\u00a0 <em><strong>Maria do Carmo Bassols Raseira<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amora-preta, classificada dentro do grupo das pequenas frutas, \u00e9 uma fruta agregada, sendo formada por diversas drup\u00e9olas (cada uma com sua polpa e semente) e compartilhando um mesmo recept\u00e1culo. 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