{"id":2123,"date":"2014-12-17T00:01:52","date_gmt":"2014-12-17T03:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/?p=2123"},"modified":"2014-12-17T00:04:36","modified_gmt":"2014-12-17T03:04:36","slug":"seca-afeta-regiao-do-ce-que-antes-era-beneficiada-por-fartura-de-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/2014\/12\/17\/seca-afeta-regiao-do-ce-que-antes-era-beneficiada-por-fartura-de-agua\/","title":{"rendered":"Seca afeta regi\u00e3o do CE que antes era beneficiada por fartura de \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>A seca, que est\u00e1 completando tr\u00eas anos em grande parte do Nordeste, come\u00e7a a prejudicar uma \u00e1rea no Cear\u00e1 que na \u00faltima d\u00e9cada impulsionou o crescimento de munic\u00edpios e sustentou centenas de pequenos agricultores dos per\u00edmetros irrigados. A estiagem amea\u00e7a o trabalho em fazendas que se instalaram na regi\u00e3o justamente por causa da fartura na oferta de \u00e1gua. A fartura na oferta de \u00e1gua, o ingrediente mais valorizado dos \u00faltimos tempos, faz as lavouras cresceremm e as frutas se desenvolvem, principalmente no semi\u00e1rido cearense. Em alguns pontos da regi\u00e3o de pouca chuva e de terra castigada pela falta da \u00e1gua \u00e9 poss\u00edvel ter plena produ\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a um sistema de irriga\u00e7\u00e3o desenvolvido para manter o abastecimento mesmo em \u00e9poca de estiagem.<\/p>\n<p>  O Cear\u00e1, terceiro maior exportador de frutas do Brasil, tem seis polos de produ\u00e7\u00e3o irrigada. Com 12 bacias hidrogr\u00e1ficas e 500 a\u00e7udes, s\u00e3o 38 mil hectares de terras por onde passam canos e mangueiras. O sistema abrange 64 munic\u00edpios. Um do polos \u00e9 o do Baixo Jaguaribe. De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estrat\u00e9gia Econ\u00f4mica do Cear\u00e1 (IPECE), a localidade tem o segundo maior PIB do estado, com R$ 7,7 mil per capita. O lugar s\u00f3 perde para a regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza. Um dos munic\u00edpios \u00e9 Quixer\u00e9, com pouco mais de 19 mil habitantes. Sem perder o jeitinho de cidade pequena, a cidade viu o polo irrigado das frutas dar um bom impulso nos neg\u00f3cios, principalmente no com\u00e9rcio. At\u00e9 o sal\u00e3o de beleza mais antigo, com 15 cabelereiros e manicures, comemora a chegada da concorr\u00eancia. O munic\u00edpio vizinho \u00e9 Russas, com 70 mil habitantes. Um dos empres\u00e1rios do lugar, que tem duas lojas de produtos para celulares, conseguiu este ano realizar o sonho de abrir um restaurante com servi\u00e7o de entrega de quentinhas e self service com capacidade para servir 300 refei\u00e7\u00f5es por dia. O espa\u00e7o tem ar condicionado, conforto muito apreciado pelos frequentadores. A Universidade Federal do Cear\u00e1 est\u00e1 construindo um campus em Russas. A cidade tem agora um hotel que, segundo o dono, mant\u00e9m o padr\u00e3o exigido por pessoas que viajam pelo mundo a neg\u00f3cios. Os principais respons\u00e1veis pelo desenvolvimento desses munic\u00edpios est\u00e3o no campo, que sente primeiro o efeito da crise da \u00e1gua. Os pequenos produtores, que representam a metade dos associados dos projetos de irriga\u00e7\u00e3o, participam de uma licita\u00e7\u00e3o p\u00fablica para adquirir pelo menos um lote de oito hectares.<br \/>\nUm deles, por exemplo, \u00e9 acerola org\u00e2nica. O produtor Paulo S\u00e9rgio Lima come\u00e7ou a plantar acerola h\u00e1 tr\u00eas anos. Ele faz parte da infraestrutura de agricultura irrigada dos per\u00edmetros p\u00fablicos do Cear\u00e1. Conselita, mulher do produtor, ajuda a embalar a acerola que tem selo de qualidade org\u00e2nica do IBD. Antes de come\u00e7ar o cultivo, Lima trabalhava como t\u00e9cnico eletr\u00f4nico na cidade. Assim como os outros irrigantes, o produtor paga R$ 180 por m\u00eas para a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e j\u00e1 faz experi\u00eancias para economizar: O produtor intensificou o uso da cobertura morta, o que causou redu\u00e7\u00e3o no consumo de \u00e1gua. &#8220;Reduzi a metade da \u00e1gua e com uma boa produtividade ainda&#8221;, disse. A segunda maior produtora de mel\u00e3o do pa\u00eds est\u00e1 entre as grandes fazendas existentes nos polos irrigados. S\u00e3o propriedades totalmente privadas, mas que tamb\u00e9m participam da infraestrutura de irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  Os propriet\u00e1rios da fazenda decidiram se instalar h\u00e1 14 anos na regi\u00e3o justamente por causa da \u00e1gua. A lavoura fica ao lado do Canal do Trabalhador, um longo canal com 102 quil\u00f4metros de extens\u00e3o cujo projeto \u00e9 administrado pelo governo estadual. A produ\u00e7\u00e3o de mel\u00e3o ainda n\u00e3o foi afetada pela estiagem, mas um dos s\u00f3cios explica que foi preciso mudar a perspectiva de crescimento por causa da seca. &#8220;Esse ano n\u00f3s praticamente n\u00e3o crescemos. O plano para o ano que vem tamb\u00e9m \u00e9 n\u00e3o crescer. \u00c9 manter s\u00f3 o que tem porque o que a gente est\u00e1 vendo de escassez de \u00e1gua. N\u00f3s conseguimos economizar em sistemas mais modernos de irriga\u00e7\u00e3o cerca de 30% da \u00e1gua que a gente vinha gastando h\u00e1 cinco, seis anos atr\u00e1s. \u00c9 mais ou menos assim: produzir mel\u00e3o com a menor quantidade de \u00e1gua poss\u00edvel&#8221;, diz o agricultor Silvio Dantas.<\/p>\n<p>  O que preocupa os produtores \u00e9 que a regi\u00e3o j\u00e1 entrou no quarto ano consecutivo de seca. Sem chuva, os a\u00e7udes n\u00e3o conseguem fazer a recarga, que \u00e9 o armazenamento de \u00e1gua para ser usada no per\u00edodo de estiagem. O a\u00e7ude Banabuiu, um dos a\u00e7udes mais importantes do sistema de abastecimento dos projetos de irriga\u00e7\u00e3o, est\u00e1 com apenas 10,9% da capacidade total. &#8220;Ele est\u00e1 perdendo uma m\u00e9dia de seis cent\u00edmetros de coluna de \u00e1gua por dia. Ele j\u00e1 perdeu este ano, com ganhos e perdas, perdeu 8,36 metros. At\u00e9 primeiro de fevereiro de 2015 est\u00e1 garantido.<br \/>\nOs per\u00edmetros irrigados j\u00e1 est\u00e3o sendo obrigados a fazer racionamento de \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o. O gerente operacional do per\u00edmetro irrigado de Tabuleiros de Russas explica que algumas culturas poder\u00e3o sofrer mais que outras. &#8220;Dentro do nosso planejamento, esse ano as culturas tempor\u00e1rias chegar\u00e3o at\u00e9 novembro e dezembro e elas ser\u00e3o interrompidas&#8221;, diz Vandemberk de Oliveira. H\u00e1 cinco anos, Dulcileide Rodrigues e Raimundo de Souza largaram a cidade para investir em dois lotes do per\u00edmetro de Russas com 16 hectares de goiaba. A casa ainda n\u00e3o est\u00e1 acabada, mas aos poucos eles conseguiram montar a cozinha, a sala e no quarto do filho, que est\u00e1 na faculdade, tem internet e TV a cabo.<\/p>\n<p>  O casal gasta R$ 300 com a \u00e1gua. Pela primeira vez, eles est\u00e3o tendo que diminuir a irriga\u00e7\u00e3o da lavoura. Dulcileide e Raimundo n\u00e3o falam em arrependimento de ter trocado a cidade pelo campo, mas est\u00e3o assustados com a possibilidade de n\u00e3o poder ouvir o som da \u00e1gua todos os dias.<\/p>\n<p>  Todos na regi\u00e3o aguardam ansiosos pela chegada da chuva para continuar vendendo bem no mercado, atraindo h\u00f3spedes no hotel, fregueses no restaurante e poder colher bons frutos no campo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seca, que est\u00e1 completando tr\u00eas anos em grande parte do Nordeste, come\u00e7a a prejudicar uma \u00e1rea no Cear\u00e1 que na \u00faltima d\u00e9cada impulsionou o crescimento de munic\u00edpios e sustentou centenas de pequenos agricultores dos per\u00edmetros irrigados. 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