{"id":2071,"date":"2014-11-24T06:59:53","date_gmt":"2014-11-24T09:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/?p=2071"},"modified":"2014-11-24T17:10:07","modified_gmt":"2014-11-24T20:10:07","slug":"o-aumento-da-incidencia-de-mildio-em-anos-de-el-nino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/2014\/11\/24\/o-aumento-da-incidencia-de-mildio-em-anos-de-el-nino\/","title":{"rendered":"O aumento da incid\u00eancia de m\u00edldio em anos de El Ni\u00f1o"},"content":{"rendered":"<p>A videira pode ser afetada por diversas doen\u00e7as e pragas durante o seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O produtor deve lan\u00e7ar m\u00e3o de uma s\u00e9rie de medidas de manejo, garantido, assim, a sanidade e evitando os danos econ\u00f4micos na produ\u00e7\u00e3o e os reflexos na safra seguinte.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Maria Emilia Borges Alves, da Embrapa Uva e Vinho, com base nas previs\u00f5es contidas na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 2014 do Boletim Clim\u00e1tico para o RS elaborado pelo 8\u00ba Disme\/Inmet e pelo Centro de Pesquisas e Previs\u00f5es Meteorol\u00f3gicas da UFPel (https:\/\/www.inmet.gov.br\/html\/clima\/cond_clima\/bol_out2014.pdf), o progn\u00f3stico clim\u00e1tico para a primavera e in\u00edcio de ver\u00e3o \u00e9 de precipita\u00e7\u00f5es pouco acima da m\u00e9dia para novembro e dezembro. J\u00e1 para janeiro a previs\u00e3o \u00e9 que as chuvas fiquem dentro do normal. Espera-se que deva chover cerca de 25 mil\u00edmetros a mais, e a probabilidade disto ocorrer \u00e9 de 35%. As temperaturas m\u00ednimas dever\u00e3o ficar acima das normais e as m\u00e1ximas um pouco abaixo at\u00e9 o final do ano, provocando uma pequena redu\u00e7\u00e3o das amplitudes t\u00e9rmicas, o que pode afetar a colora\u00e7\u00e3o das bagas no in\u00edcio do per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o das videiras e, por sua vez, influenciar a qualidade das variedades vin\u00edferas. Estes pequenos desvios previstos na temperatura e na precipita\u00e7\u00e3o se devem ao fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, que vem atuando com fraca intensidade no decorrer do ano.<\/p>\n<p>Dentre as doen\u00e7as da videira, o m\u00edldio, tamb\u00e9m conhecido por mufa, costuma ser a mais destrutiva, quando as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tornam-se favor\u00e1veis ao pat\u00f3geno, principalmente em vinhedos com cultivares suscet\u00edveis. A incid\u00eancia e a severidade do m\u00edldio variam de ano para ano e tamb\u00e9m durante a safra. Nos anos de El Ni\u00f1o mais intenso, caracterizados por um maior volume de chuvas na regi\u00e3o sul e sudeste do Brasil, o controle da doen\u00e7a torna-se mais problem\u00e1tico, caso n\u00e3o seja realizado corretamente. A simples aplica\u00e7\u00e3o de um fungicida n\u00e3o garantir\u00e1 o completo sucesso nessa batalha, muitas outras vari\u00e1veis interferem nessa rela\u00e7\u00e3o. O dom\u00ednio da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fator-chave para a efici\u00eancia no controle, afirma o pesquisador da \u00e1rea de fitopatologia Lucas da R. Garrido, da Embrapa Uva e Vinho.<\/p>\n<p>Os maiores preju\u00edzos causados pelo m\u00edldio est\u00e3o relacionados \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o total ou parcial das infloresc\u00eancias e\/ou frutos e \u00e0 queda prematura das folhas.<br \/>\nPortanto, a doen\u00e7a causa danos \u00e0 qualidade e \u00e0 quantidade da produ\u00e7\u00e3o do ano e enfraquecimento da planta para as safras futuras.<br \/>\nO m\u00edldio \u00e9 caracterizado pela presen\u00e7a de manchas de colora\u00e7\u00e3o verde-clara de aspecto oleoso na face superior das folhas, conhecidas como &#8216;manchas de \u00f3leo&#8217;. Em condi\u00e7\u00f5es de alta umidade, na face inferior da regi\u00e3o correspondente a essas manchas surgir\u00e1 uma efloresc\u00eancia branca (mofo branco). As manchas tornam-se necrosadas na infloresc\u00eancia at\u00e9 a subsequente queda. Quando o ataque ocorre na fase de flora\u00e7\u00e3o, as infloresc\u00eancias podem ficar deformadas, com aspecto de gancho, al\u00e9m de poderem secar e cair. Vale observar que nem todo abortamento de flores \u00e9 devido ao m\u00edldio, pois chuvas na flora\u00e7\u00e3o inviabilizam a poliniza\u00e7\u00e3o e as flores tamb\u00e9m abortam. J\u00e1 nas bagas novas, o pat\u00f3geno pode penetrar diretamente pelos est\u00f4matos ou pelo pedicelo (estruturas da baga). Com o desenvolvimento da doen\u00e7a, em condi\u00e7\u00f5es de alta umidade, haver\u00e1, na superf\u00edcie das bagas afetadas, a forma\u00e7\u00e3o de um mofo branco (esporos do fungo) .<\/p>\n<p>Fatores que contribuem para aumentar o teor de \u00e1gua no solo, no ar e na planta favorecem o desenvolvimento do m\u00edldio da videira. Portanto, a chuva \u00e9 considerada o principal fator por propiciar tais condi\u00e7\u00f5es. Locais sujeitos \u00e0 cerra\u00e7\u00e3o e o orvalho tamb\u00e9m contribuem para a infec\u00e7\u00e3o dos tecidos da planta pelo pat\u00f3geno causador da doen\u00e7a. A temperatura exerce papel moderador, freando ou acelerando o desenvolvimento do m\u00edldio. Dificilmente ocorre infec\u00e7\u00e3o se a umidade do ar for inferior a 75%. De um modo geral, s\u00e3o necess\u00e1rias cerca de duas a tr\u00eas horas de molhamento foliar para que se instale o processo infeccioso. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o pode variar de 4 a 18 dias, diminuindo com o aumento da umidade do ar e da temperatura at\u00e9 25\u00b0C. Em condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de temperatura (22-25\u00b0C) o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o dura de quatro a seis dias.<\/p>\n<p>Todas as pr\u00e1ticas culturais que aumentam o teor de umidade no dossel favorecem o desenvolvimento da doen\u00e7a, como plantios adensados, utiliza\u00e7\u00e3o de porta-enxertos vigorosos, altas doses de adubos nitrogenados, irriga\u00e7\u00e3o e podas incorretas. A instala\u00e7\u00e3o do vinhedo em baixadas propicia uma maior ocorr\u00eancia de nevoeiros e solos mal drenados favorecem o aparecimento de focos prim\u00e1rios.<\/p>\n<p>Com o monitoramento, as aplica\u00e7\u00f5es podem ser iniciadas com a aparecimento dos primeiros sintomas (mancha de \u00f3leo) e repetidas sempre que houver condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ou em intervalos de 7 a 10 dias. At\u00e9 o est\u00e1dio de gr\u00e3o (&#8216;ervilha&#8217;) recomenda-se a aplica\u00e7\u00e3o de produtos sint\u00e9ticos. Ap\u00f3s esse est\u00e1dio, podem ser empregados os fungicidas c\u00fapricos. Durante a flora\u00e7\u00e3o, momento de maior aten\u00e7\u00e3o pelo produtores, os fungicidas aplicados devem apresentar a mistura de princ\u00edpios ativos de contato e sist\u00eamicos, lembrando que muitas marcas comerciais de fungicidas j\u00e1 apresentam essa mistura de f\u00e1brica.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a utiliza\u00e7\u00e3o de produtos indutores de resist\u00eancia tem aumentado em diversas culturas. Na videira, os fosfitos de pot\u00e1ssio t\u00eam desempenhado este papel, tornando a planta mais resistente ao ataque do agente causador do m\u00edldio e exercendo um excelente controle da doen\u00e7a, podendo serem utilizados em mistura com produtos de contato.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de seguir as informa\u00e7\u00f5es contidas na bula dos produtos, \u00e9 importante que os viticultores tenham o pulverizador calibrado e em boas condi\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o. Escutar o barulho da bomba do equipamento e a n\u00e9voa formada durante a pulveriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o assegura que o princ\u00edpio ativo tenha chegado ao alvo. Gotas muito pequenas evaporam antes de chegar aos tecidos da planta e gotas grandes ocasionam maior escorrimento do produto. Logo, a regulagem deve situar-se entre estes dois extremos. O man\u00f4metro, os bicos e as mangueiras devem estar em boas condi\u00e7\u00f5es de uso e sem vazamentos. Os tratamentos n\u00e3o devem ser realizados quando h\u00e1 presen\u00e7a de orvalho nos tecidos da planta e nem durante as horas mais quentes do dia, a fim de evitar a evapora\u00e7\u00e3o. \u201cO controle n\u00e3o ser\u00e1 eficiente s\u00f3 com a dose correta do produto, a tecnologia de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 parte vital desse processo\u201d, alerta Garrido.<\/p>\n<p>Para um melhor resultado, o pesquisador orienta que os fungicidas sist\u00eamicos devem ser aplicados pelo menos quatro horas antes de chuvas, para evitar que os mesmos sejam lavados antes da sua absor\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os produtos de contato s\u00e3o lavados ap\u00f3s chuvas maiores que 25 mm. Por outro lado, a ocorr\u00eancia de chuvas de menor intensidade (5 a 10 mm) contribuem para a distribui\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio ativo dos fungicidas de contato nos \u00f3rg\u00e3os da planta.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 a dose do fungicida utilizada para a preven\u00e7\u00e3o e o controle das doen\u00e7as da videira.<\/p>\n<p>Embora este assunto seja bastante pol\u00eamico, a dose registrada no Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) e recomendada \u00e9 de kg ou L \/ ha, levando-se em conta o volume de calda de 800 a 1000L \/ ha\u201d, refor\u00e7a Garrido. Nos pulverizadores convencionais, utilizando baixos volumes de calda, por exemplo 200 a 300 L \/ ha e a dose do produto para 100 L, menos princ\u00edpio ativo est\u00e1 sendo depositado sobre as plantas, ou seja, \u00e9 uma subdosagem, o que contribui para o surgimento de novos focos de infec\u00e7\u00e3o pelo m\u00edldio, alerta o pesquisador.<br \/>\nConfira a lista dos produtos autorizados para a cultura da videira em: https:\/\/www.uvibra.com.br\/pdf\/agroquimicos.pdf.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A videira pode ser afetada por diversas doen\u00e7as e pragas durante o seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O produtor deve lan\u00e7ar m\u00e3o de uma s\u00e9rie de medidas de manejo, garantido, assim, a sanidade e evitando os danos econ\u00f4micos na produ\u00e7\u00e3o e os reflexos na safra seguinte. 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