{"id":1905,"date":"2014-09-24T00:01:41","date_gmt":"2014-09-24T03:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/?p=1905"},"modified":"2014-09-24T00:40:35","modified_gmt":"2014-09-24T03:40:35","slug":"pesquisas-avancam-no-combate-a-mais-severa-doenca-dos-citros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/2014\/09\/24\/pesquisas-avancam-no-combate-a-mais-severa-doenca-dos-citros\/","title":{"rendered":"Pesquisas avan\u00e7am no combate \u00e0 mais severa doen\u00e7a dos citros"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s dez anos do primeiro relato do huanglongbing (HLB) no Brasil, foram finalizadas ferramentas e tecnologias que podem ser utilizadas pela defesa fitossanit\u00e1ria para exclus\u00e3o, diagn\u00f3stico e erradica\u00e7\u00e3o do HLB, como um software que simula epidemias. S\u00e3o resultados de uma rede estruturada para detec\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria causadora do HLB em regi\u00f5es onde a doen\u00e7a ainda n\u00e3o estivesse presente. Para isso, foi feito um trabalho de monitoramento do inseto-vetor, a Diaphorina citri, da presen\u00e7a da bact\u00e9ria e dos sintomas em cinco regi\u00f5es citr\u00edcolas: no Amazonas, Par\u00e1, Rio Grande do Sul, na Bahia (Rec\u00f4ncavo e Litoral Norte) e no semi\u00e1rido, em Petrolina (PE).<\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Francisco Laranjeira afirma que a segunda fase da pesquisa n\u00e3o \u00e9 uma simples continua\u00e7\u00e3o. \u201cAs ferramentas foram desenvolvidas, as metodologias, tanto de campo como biomatem\u00e1ticas, foram criadas e agora precisamos trabalhar na ado\u00e7\u00e3o disso.\u201d Laranjeira acrescenta que, com esse projeto, denominado HLB BioMath, a Embrapa amplia a intera\u00e7\u00e3o com grupos de pesquisa de outros pa\u00edses, como a Universidade de Cambridge e o Rothamsted Research (Inglaterra), o Instituto de Pesquisa em Fruticultura Tropical Cuba) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A doen\u00e7a ainda causa perdas expressivas em importantes regi\u00f5es produtoras, colocando em xeque a sustentabilidade da cadeia citr\u00edcola.<\/p>\n<p>O HLB \u00e9 considerado o inimigo n\u00famero um da citricultura hoje no mundo. Esse status \u00e9 garantido principalmente por um fator: n\u00e3o foram identificadas variedades comerciais resistentes. Ent\u00e3o, o que fazer diante de uma doen\u00e7a extremamente dif\u00edcil de ser controlada? Al\u00e9m de batalhar em busca de uma sa\u00edda pela via do controle gen\u00e9tico, a Embrapa vem desenvolvendo, ao longo desse per\u00edodo, em conjunto com importantes parceiros, uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que abrangem, por exemplo, preven\u00e7\u00e3o, controle do inseto que transmite a doen\u00e7a, pr\u00e1ticas culturais e diagn\u00f3stico precoce de plantas infectadas. Uma das principais contribui\u00e7\u00f5es da Empresa nesses dez anos de luta contra a doen\u00e7a \u2014 identificada nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1 \u2014 \u00e9 o projeto HLB BioMath, que criou a chamada Rede Sentinela.<\/p>\n<p>Mais iniciativas &#8211; Tamb\u00e9m se destaca nesse conjunto de a\u00e7\u00f5es o desenvolvimento de um equipamento de diagnose precoce \u2014 o aparelho port\u00e1til est\u00e1 em fase de valida\u00e7\u00e3o \u2014, sob a lideran\u00e7a da pesquisadora D\u00e9bora Milori, da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o (SP), a primeira tecnologia gerada pela Embrapa a ser entregue para o HLB.<br \/>\nPode levar meses, anos, at\u00e9 que os primeiros sintomas apare\u00e7am\u201d, explica o pesquisador Eduardo Girardi, coordenador do Arranjo HLB dos Citros, que engloba 11 projetos finalizados e 17 novas propostas, agrupadas em sete linhas tem\u00e1ticas (anal\u00edtica, biomatem\u00e1tica, controle biol\u00f3gico, sistemas de produ\u00e7\u00e3o, melhoramento convencional, biotecnologia e gerenciamento\/comunica\u00e7\u00e3o do arranjo), e conta com a participa\u00e7\u00e3o de 20 centros de pesquisa da Embrapa, al\u00e9m da parceria de 17 institui\u00e7\u00f5es externas.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pesquisadora Juliana Ast\u00faa, respons\u00e1vel pelo campo avan\u00e7ado da Embrapa Mandioca e Fruticultura localizado em Cordeir\u00f3polis (SP), no Centro de Citricultura Sylvio Moreira (CCSM), vinculado ao Instituto Agron\u00f4mico (IAC) \u2014 institui\u00e7\u00e3o que identificou pela primeira vez o HLB no Brasil \u2014, vem desenvolvendo projetos na \u00e1rea de controle biol\u00f3gico e transgenia. Concluiu recentemente testes isolados de Bacillus thuringiensis (BT) para controlar a Diaphorina citri (nome do inseto-vetor). Nessa parte inicial, foram identificados tr\u00eas isolados interessantes. \u201cUma bact\u00e9ria de BT pode ter v\u00e1rios genes de toxinas diferentes. Um dos isolados que identificamos como potencial continha cinco toxinas. Uma delas mata em torno de 90 a 93% de ninfas do inseto depois de cinco dias. O importante \u00e9 que a efici\u00eancia \u00e9 bem alta, similar \u00e0 de controle qu\u00edmico. Agora temos de ver como disponibilizar esse material para os produtores. Precisamos sair tamb\u00e9m do laborat\u00f3rio e testar em campo. \u00c9 o que vamos fazer no novo projeto\u201d, informa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Esse trabalho ter\u00e1 continuidade, agora com foco na transgenia. \u201cCom as informa\u00e7\u00f5es de como a planta est\u00e1 respondendo, quais genes est\u00e3o sendo induzidos ou reprimidos, nossa estrat\u00e9gia agora \u00e9 usar alguns desses genes que responderam de forma interessante \u00e0 inocula\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria causadora do HLB para produzir plantas transg\u00eanicas. A ideia, na verdade, \u00e9 de cisgenia, trabalhar com genes de citros mesmo, em busca da resist\u00eancia ao HLB\u201d, explica Juliana. H\u00e1 tamb\u00e9m a ressaltar o trabalho do pesquisador Eduardo Stuchi, que conseguiu caracterizar uma s\u00e9rie de acessos gen\u00e9ticos para o HLB. \u201cInfelizmente pode-se dizer hoje que nenhum material conhecido at\u00e9 o momento tem efetiva resist\u00eancia \u00e0 bact\u00e9ria, todos s\u00e3o suscet\u00edveis. Mas, por esses estudos, porta-enxertos ananicantes parecem postergar a epidemia\u201d, conta Girardi.<br \/>\nA Embrapa tem hoje mais de 300 h\u00edbridos em avalia\u00e7\u00e3o no campo em S\u00e3o Paulo. Desses, a equipe acredita que pelo menos de seis a dez porta-enxertos poder\u00e3o ser lan\u00e7ados nos pr\u00f3ximos anos\u201d, informa Girardi.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es da Embrapa envolvem ainda importantes colabora\u00e7\u00f5es internacionais. O pesquisador Eduardo Andrade \u00e9 respons\u00e1vel por outro projeto na \u00e1rea de controle biotecnol\u00f3gico do vetor, conduzido no Laborat\u00f3rio Virtual da Embrapa nos Exterior, Labex-EUA. Andrade desenvolve sua pesquisa no USDA em Fort Pierce, na Fl\u00f3rida, em colabora\u00e7\u00e3o com o pesquisador Wayne Hunter, voltada para a identifica\u00e7\u00e3o de alvos gen\u00e9ticos (genes essenciais) no inseto-vetor para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de controle desse inseto pela tecnologia de RNA interferente. \u201cO objetivo \u00e9 desenvolver mol\u00e9culas [rem\u00e9dio] que ser\u00e3o aplicadas \u00e0s plantas de citros e quando ingeridas pelo vetor causem sua morte, sem a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da planta de citros, ou seja, sem estabelecer plantas transg\u00eanicas, mas \u2018vacinadas\u2019 contra o vetor&#8221;, explica Andrade.<\/p>\n<p>O HLB no Brasil e no mundo &#8211; Surgido na \u00c1sia h\u00e1 mais de cem anos, o HLB foi identificado no Brasil em 2004, em S\u00e3o Paulo, estando presente, de acordo com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), em todas as regi\u00f5es citr\u00edcolas do estado. Em 2005, foi detectado no sul do Tri\u00e2ngulo Mineiro e, em 2006, no norte do Paran\u00e1. Est\u00e1, por enquanto, restrito a essas regi\u00f5es, mas o perigo de se espalhar pelo Pa\u00eds \u00e9 iminente. Conforme o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estat\u00edstica (IBGE), cerca de 74% das planta\u00e7\u00f5es de citros est\u00e3o nesses estados, mas 88% das microrregi\u00f5es brasileiras produzem algum tipo de citros, e o inseto-vetor, a Diaphorina citri, est\u00e1 presente em praticamente todo o Brasil.<\/p>\n<p>Dados da Coordenadoria de Defesa Agropecu\u00e1ria (CDA) do estado de S\u00e3o Paulo d\u00e3o conta de que 34 milh\u00f5es de plantas com HLB foram eliminadas no estado desde 2004. \u201cEm algumas regi\u00f5es, o n\u00famero de talh\u00f5es contaminados supera os 60%. O monitoramento \u00e9 fundamental para evitar que a doen\u00e7a se espalhe\u201d, afirma Girardi. Segundo o fitopatologista Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus, estima-se que, este ano, 14% das plantas de laranja do parque citr\u00edcola paulista estejam com sintomas no campo.<br \/>\n\u201cIsso tem nos permitido primeiramente conhecer melhor a doen\u00e7a, para, em seguida, desenhar estrat\u00e9gias de manejo. Pelas caracter\u00edsticas da planta, que \u00e9 perene, e da doen\u00e7a, que tem longo per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, os resultados iniciais v\u00eam de forma mais lenta do que o avan\u00e7o da doen\u00e7a. Vemos com boas perspectivas o trabalho da Embrapa de coordena\u00e7\u00e3o de um projeto maior para fazer face a essa devastadora doen\u00e7a.\u201d <\/p>\n<p>Desde os anos 1980, quando a Fl\u00f3rida (EUA) teve queda na produ\u00e7\u00e3o por causa das geadas, o Brasil assumiu o primeiro lugar como maior produtor de laranja do mundo e nunca mais perdeu essa posi\u00e7\u00e3o. Girardi explica que o Pa\u00eds responde aproximadamente por 35% de toda a laranja do mundo e mais da metade (52%) do suco produzido, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). Em termos de mercado, o Brasil det\u00e9m 80% do mercado mundial de suco. Esses n\u00fameros d\u00e3o a dimens\u00e3o da import\u00e2ncia do neg\u00f3cio citr\u00edcola para o Brasil, o que justifica a preocupa\u00e7\u00e3o que gira em torno do HLB.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a est\u00e1 presente em quase todas as regi\u00f5es produtoras do mundo, exceto nos pa\u00edses mediterr\u00e2neos e na Austr\u00e1lia. Pode ser causada pela bact\u00e9ria asi\u00e1tica (a mais agressiva e presente no Brasil), a americana ou a africana. Nos locais em que ocorre h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, provoca perdas expressivas, reduzindo a produtividade \u00e0 faixa de 10 a 15 toneladas de frutos por hectare em \u00e1reas com HLB end\u00eamico. \u201cPor outro lado, em \u00e1reas onde n\u00e3o ocorre a doen\u00e7a ou sua incid\u00eancia \u00e9 mantida em n\u00edveis muito baixos, a produtividade pode ser muito superior, chegando a quantidades acima de 50 toneladas por hectare\u201d, conta Girardi. Bassanezi acrescenta que, na Fl\u00f3rida, onde n\u00e3o foram adotadas medidas de elimina\u00e7\u00e3o de plantas doentes, estima-se que mais de 60% das plantas estejam com sintomas de HLB, e nos dois \u00faltimos anos as safras de laranja foram reduzidas em mais de 20% cada ano. S\u00e3o not\u00edcias muito ruins, porque, como enfatiza Girardi, n\u00e3o \u00e9 interessante um cen\u00e1rio em que os problemas comecem a restringir demais a produ\u00e7\u00e3o, pois isso tamb\u00e9m se reflete no consumo.<\/p>\n<p>Drama social &#8211; O pesquisador afirma que v\u00e1rios produtores j\u00e1 sa\u00edram do neg\u00f3cio citr\u00edcola em fun\u00e7\u00e3o do HLB.<br \/>\nH\u00e1 desde o pequeno produtor que perdeu \u00e1reas at\u00e9 grandes grupos tradicionais,\u201d diz Girardi. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira determina que, se houver a incid\u00eancia de 28% de HLB, o produtor \u00e9 obrigado a eliminar a \u00e1rea toda para n\u00e3o contaminar planta\u00e7\u00f5es vizinhas. Ospequenos produtores s\u00e3o os mais prejudicados, como avalia Reinaldo Corte. \u201cA pequena dimens\u00e3o da propriedade faz com que n\u00e3o haja uma bordadura onde se possa diminuir a velocidade de avan\u00e7o da doen\u00e7a e proteger as \u00e1reas internas. H\u00e1 ainda o menor acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, o menor poder de barganha na negocia\u00e7\u00e3o de insumos e na venda da produ\u00e7\u00e3o, a exist\u00eancia de outros pequenos produtores vizinhos nas mesmas condi\u00e7\u00f5es e os baixos pre\u00e7os atualmente praticados\u201d, analisa o consultor. * Alessandra Vale &#8211; Embrapa Mandioca e Fruticultura &#8211; Tel: (75) 3312-8076<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s dez anos do primeiro relato do huanglongbing (HLB) no Brasil, foram finalizadas ferramentas e tecnologias que podem ser utilizadas pela defesa fitossanit\u00e1ria para exclus\u00e3o, diagn\u00f3stico e erradica\u00e7\u00e3o do HLB, como um software que simula epidemias. S\u00e3o resultados de uma rede estruturada para detec\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria causadora do HLB em regi\u00f5es onde a doen\u00e7a ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1905"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1905"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1910,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1905\/revisions\/1910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.frutadovale.com.br\/2013\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}